Em um mercado cada vez mais competitivo, depender de um único produto pode limitar o crescimento e aumentar os riscos do negócio. Essa foi a principal provocação da palestra “Diversificação de Produtos”, apresentada por Victor Mattos, mentor em revenda autorizada.
Com uma fala direta e baseada em experiência própria, Victor trouxe uma visão clara sobre o cenário atual do varejo mobile no Brasil, marcado por informalidade, importações irregulares e baixa estrutura empresarial. Segundo ele, esse modelo, ainda comum no setor, pode gerar prejuízos significativos e até riscos jurídicos para o empreendedor.
A partir dessa realidade, o palestrante propôs uma mudança de mentalidade: deixar de atuar apenas como lojista e assumir o papel de empresário. Isso envolve estruturar o negócio, formalizar operações e, principalmente, diversificar as fontes de receita.
Um dos pontos centrais foi a dependência excessiva do iPhone como principal produto de venda. Embora ainda relevante, Victor destacou que concentrar o faturamento em um único item limita o potencial do negócio. “A Apple ainda é 50% do meu market share interno. Antes era 100%. Hoje eu já não dependo mais dela”, afirmou.
A diversificação, nesse contexto, aparece como estratégia para aumentar a recorrência e ampliar o ticket médio. Ao trabalhar com um mix mais amplo de produtos — como acessórios, eletrônicos, wearables e outros itens complementares — o lojista consegue gerar novas oportunidades de venda para a mesma base de clientes.
Outro ponto relevante é a frequência de compra. Enquanto o smartphone tem um ciclo mais longo, outros produtos permitem recorrência ao longo do ano. Segundo Victor, com um portfólio diversificado, é possível fazer o mesmo cliente voltar à loja várias vezes.
Além da ampliação do mix, a palestra destacou novos modelos de receita. Entre eles, o aluguel de equipamentos, como smartphones, drones e acessórios, surge como uma alternativa rentável e ainda pouco explorada. A lógica é simples: transformar produtos em ativos que geram receita contínua.
A venda de serviços também ganha espaço, como garantia estendida e soluções personalizadas para o cliente. Esses modelos aumentam a margem e fortalecem o relacionamento, criando uma percepção de valor que vai além do produto.
Outro ponto importante abordado foi a formalização do negócio. Trabalhar com produtos legalizados e construir relacionamento direto com marcas abre novas possibilidades, como acesso a crédito, melhores condições de compra e maior segurança operacional.
Victor também destacou a importância do posicionamento. Mais do que vender produtos, o lojista precisa vender confiança, estrutura e experiência. Esse conjunto de fatores permite competir não apenas por preço, mas por valor percebido.
A palestra reforça que diversificar não é apenas ampliar o portfólio, mas repensar o modelo de negócio. Ao integrar novos produtos, serviços e fontes de receita, o empreendedor reduz riscos, melhora margens e constrói uma operação mais sólida.
No fim, a mensagem é clara: crescer no varejo mobile exige visão de longo prazo. E essa visão passa, necessariamente, por diversificação, estrutura e posicionamento estratégico.




